domingo, 22 de janeiro de 2012

A BÍBLIA SOB ATAQUE

Atualmente, existem espíritos no mundo físico agindo, diligentemente, em todas as facetas do que é chamado “Cristianismo”. O espírito do Anticristo é o principal agente nesse contexto, conforme profetizado para a igreja dos últimos dias, cujo destino final é se tornar um sistema religioso mundial, sob o controle do Diabo encarnado. [N.T. - Cristo se fez homem para salvar os pecadores. Satanás vai se encarnar, com o objetivo de destruí-la].
Nossa frustração, a do remanescente fiel ao Senhor Jesus Cristo, é saber que não podemos deter um movimento, cujo tempo é chegado. Foi o próprio Deus quem colocou a cegueira naqueles que O adoram somente com os lábios, mas o seu coração está longe dEle. O máximo que podemos fazer é “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”, tentando “arrebatar alguns do fogo” (Judas 3,23).
A maneira de localizar onde o Diabo está agindo é no seu ataque à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Isso está acontecendo em todas as direções - tanto no lado conservador como no lado liberal da igreja visível. “Nada há de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9). Satanás sempre tem lançado dúvidas sobre a Palavra de Deus, esforçando-se para enganar o Seu povo, como, por exemplo, em Gênesis 3:1: “É assim que Deus disse?”

PARÁFRASES MODERNAS - A criação das falsas traduções da Bíblia é a maneira mais óbvia pela qual a Palavra de Deus tem estado, ultimamente, sob ataque. A Bíblia “The Message” (A Mensagem) é vendida como uma tradução, sendo uma paráfrase com a pretensão de ser lida amistosamente. Contudo, ela distorce a significação da Escritura. Um ministro assim observou as deficiências na Bíblia “The Message”, a qual ele nomeia como “uma mentira parafraseada”.
O Anticristo é simplesmente um anarquista. Palavras como “apostasia”, o “que resiste”; e outras estão em falta; o julgamento do Anticristo é uma “piada”; não há referência alguma sobre a volta de Cristo; os maus são banidos, em vez de condenados. Além disso, em vez de denunciar o autor, nesse assalto à Bíblia, muitos líderes da igreja atual emprestam os seus nomes como um endosso a este livro: "Amy Grant, Benny Hinn, Bill Hybels, Bill and Gloria Gaither, Billy Graham, Chuck Swindoll, Cynthia Heald, Gary Smalley, Gordon MacDonald, J.I. Packer, Jack Hayford, Jerry Jenkins, Jerry Savelle, Jimmy and Rosalyn Carter, John Maxwell, Joni Eareckson Tada, Joyce Meyer, Keith Miller, Kenneth Copeland, Madeleine L'Engle, Max Lucado, Michael Card, Michael W. Smith, Newsboys, Rebecca St. James, Richard Foster, Rick Warren, Rod Parsley, Stuart and Jill Briscoe, Tony Campolo, Vernon Grounds, Walter Kaiser Jr., Warren Wiersbe.
EVANGÉLICOS - Um correto barômetro da igreja evangélica, para os dias de hoje, são as populares revistas “Christianity Today” e “Charisma”. Para ver como o Evangelicalismo tem se distanciado da verdade bíblica, basta que se pesquisem as páginas da última edição destas duas publicações, a fim de verificar quais os ministérios que estão sendo promovidos e quais as conferências que estão sendo anunciadas. [N.T. - Há alguns anos, a edição da C.T. aqui no Brasil, pediu-me para escrever um artigo sobre a Igreja Emergente. Como escrevi um texto denunciando-a, claro que a revista não o publicou).
Por exemplo, a C.T. publicou um artigo sobre o controverso autor católico - Brennan Manning - cujos artigos mostram uma mentalidade novaerense e ecumênica. Embora muitos ministérios apologéticos tenham denunciado este fato, a C.T. o ignorou e numa entrevista de 06/10/2005, ela se referiu ao livro de Manning, “The Ragamuffin Gospel” como sendo um clássico espiritual, mesmo estando este livro repleto de perigosos ensinos espirituais. “A Coward Who Stayed to Help” é a estória [furada] em que Manning contou a sua ajuda às vitimas do furacão Katrina. Numa inversão dos eventos, a C.T. precisou editar uma correção da tal estória, uns cinco dias após sua publicação. Acontece que Manning havia exagerado em tudo e por isso os editores da C.T. colocaram um adendo à estória, conforme abaixo:
“Dos editores - “Lamentamos informar nossos leitores que, após nossa conversa gravada, Brennan Manning telefonou ao nosso escritório, a fim de se desculpar. Ele reiterou que ficara ‘desorientado, confuso e deprimido’; ele disse, em seguida, que certos detalhes que e havia entregue não eram verídicos. Ele não conseguiu identificar a criança do seu prédio de apartamentos, nem ajudou uma senhora idosa a se livrar da tragédia. Conquanto ele tenha sido o último a sair do prédio, ‘a verdade é que não havia pessoa alguma, ali, que eu pudesse ajudar’”. Ele concluiu, numa mensagem verbal à C.T.: ‘A pura verdade é que eu menti’”.
Apesar de tantas mentiras, a C.T. arquivou a entrevista sem editar e anexou a antiga estória de Manning, à edição de junho 2004, a qual mostrava todos os líderes evangélicos que abraçaram esse ex-padre franciscano. A lista dos seus admiradores consta de “Quem é Quem” dos líderes evangélicos, como Eugene Peterson, autor da Bíblia parafraseada - “The Message” - e do popular consultor, Larry Crab. Manning também é endossado por muitos músicos populares, tais como o falecido Rich Mullins, Michael Card, Michael W. Smith e os membros da U2. Tais endossos têm permitido a este herege a entrada nos círculos e revistas evangélicos.
Brennan Manning tem popularizado a ideia de que a Bíblia não deve ser aceita literalmente e qualquer pessoa que enaltece os seus valores não passa de um fariseu e hipócrita. Ela precisa ser separada da Palavra de Deus, como sendo um livro contendo palavras de homens misturadas às palavras de Deus, a fim de que a verdade ecumênica possa ser alcançada pelos católicos & protestantes. Tanto a C.T. como a Charisma aprovam esta agenda.
DENOMINAÇÕES TRADICIONAIS - Os cristãos crentes na Bíblia há muito têm ficado chocados e horrorizados com a retórica antibíblica expressada pelos movimentos e organizações protestantes, que antes acreditavam na verdade da Escritura. “Teólogos” do Seminário de Jesus, como o bispo episcopal John Spung, têm sido aceitos pelo mundo secular como sendo porta-vozes do Cristianismo. O último livro de Spung é intitulado “The Sins of Scripture: Exposing the Bible Texts of Hate to Reveal The God’s Love”. Nele, Spung afirma que “a Bíblia está repleta de conceitos tribais e de amantes do sexo, do tempo antigo”. Mesmo assim, ele apanha as coisas de que gosta na Escritura, descartando o resto - ou seja, a maior parte da Bíblia.
Quando ele denuncia a Bíblia desta maneira, poder-se-ia imaginar que a Igreja Episcopal iria renegá-lo, mas, em vez disso, ela o apoia, permitindo que o seu veneno se espalhe através de uma denominação já morta.
O mesmo acontece na Igreja Metodista, a qual também apoia os que odeiam a Bíblia. Uma dessas pessoas é Susan Cady, co-autora da obra “Sophia, The Future of Feminine Spirituality”, a qual pastoreia uma das mais antigas igrejas metodistas na Filadélfia. Ela é quase uma bruxa, denunciando a Bíblia, pelo que ela chama desvio patriarcal. Pois, em vez de ser disciplinada pelos males que tem espalhado contra o Cristianismo e a Palavra de Deus, [essa bruxa] é enaltecida a uma posição de destaque. O que John Wesley iria pensar disso?
Contudo, são os denunciadores da Bíblia, na Cristandade, que têm predominado na imprensa. Eles são os mais apresentados nos documentários da TV secular, tais como na série “Os Mistérios da Bíblia”. Quem melhor do que um erudito de seminário (como os do Seminário de Jesus, os quais negam a divindade de Cristo), ou algum ministro ordenado por uma denominação tradicional, para ser citado como afirmando que a separação do Mar Vermelho, de fato, jamais aconteceu? Esses homens e mulheres eclesiásticos são uma verdadeira desgraça para o Cristianismo Bíblico, fornecendo munição aos que odeiam a Bíblia, substituindo-a pela cultura popular. [N.T. Eles ignoram completamente o que Paulo ensina na 1 Coríntios 1:18-20: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?”]
Muitas denominações tradicionais abandonaram a Bíblia, substituindo-a pela cultura popular. Homossexuais ativos são bem-vindos a essas denominações e os que se opõem são marginalizados. Igrejas como a UCC (United Church of Christ), a Igreja Luterana, a Igreja Metodista Unida, a Igreja Discípulos de Cristo e a Sociedade dos Amigos (quakers) não mais acatam os ensinos dos seus fundadores. A batalha pela Bíblia já foi perdida nas denominações principais.

TELEEVANGELISMO PENTECOSTAL/CARISMÁTICO - A maior rede de TV “cristã” do mundo – TBN (Trinity Broadcasting Network) costuma enaltecer frequentemente o seu chamado “profeta” Kim Clement. Este, e outro visionário de uma igreja nova, Tommy Tenney, foram entrevistados pelos anfitriões - Matthew e Laurie Crouch - no programa “Praise The Lord”, há uns cinco anos. Clement compartilhou um vídeo clip de uma de suas reuniões, na qual ele entrou num frenesi profético, tendo “profetizado” um lampejo de como a igreja gostaria de parecer no futuro. “Vai acontecer um mover mundial de Deus”, Clement bradou, dirigindo-se a um batedor de rock de sua banda, na retaguarda. “Vai acontecer um mover do meu espírito [N.T. - O visionário escreve tudo em minúsculo mesmo] no mundo inteiro e o espírito do Senhor diz: ‘Eles vão preparar o maior reino que já existiu, o reino do meu filho. Mudarei as leis deste país. Colocarei favor, favor, favor na igreja do Deus vivo. E durante sete anos, vocês entrarão na maior prosperidade com que já sonharam. Ela é de vocês... de vocês. Diz o Senhor. Vejam bem”. Enquanto isso, a multidão grita e extravasa a sua agitação) [N.T. – Francamente, o Inglês desse visionário é pior do que o meu, uma cearense do Crato. Foi difícil traduzir o seu péssimo Inglês, repleto de gíria pentecostal. Ach Du, Mein Gott].
De volta ao estúdio, o anfitrião Matt Crouch comentou: “Esta é a igreja como deveria ser!” Com o que Laurie concordou: “Toda agitada!” Matt completou: “Absolutamente caótica nas mãos de Kim Clement. Foi um culto assombroso, o último do Ano 2000... E ele esteve profetizando para a América. É assim que as coisas devem ser. Vocês sabem quando estamos falando de uma igreja pobre, a qual não depende do dinheiro (Matt fala zombeteiramente). Ali se podem ver pessoas rindo, absolutamente histéricas, e dançando na presença do Senhor. Essas pessoas estão famintas e apaixonadas pelo louvor e adoração em suas reuniões”.

Tommy Tenney fungou: “Acho que ele vai receber uma unção para matar os espíritos religiosos. Eles já estão mortos, há, há, há”. Com isso Matt concordou.

Num programa anterior, com os mesmo anfitriões e convidados, Clement criticou acerbamente a liderança da igreja, conforme a percebia: “Podemos ser jovens, podemos ter ótima aparência, podemos ser prósperos e ricos; estamos apenas provocando-os. E não vamos precisar de 20 anos para conseguir a mudança de todas as coisas. Aparentemente, isso não difere muito em cada geração”. Em seguida, ele voltou ao seu ataque contra a Bíblia: “Saibam que eu não estou pensando agora a respeito da Tribulação de sete anos, nem em pré, mid ou pós, nesse tipo de coisa. Não nos preocupamos com isso. Só queremos ver os reinos deste mundo se tornarem reinos de Deus. Não perdemos tempo com isso.... Estamos vivendo o melhor tempo da igreja que já existiu. Já estamos dentro dele, agora mesmo. Só que uma porção de gente não quer ver, preferindo ir para casa, a fim de estar com o Senhor. Não queremos isso!”
O ódio à igreja demonstra uma visão do que acontece com a Bíblia. Clement não carrega uma Bíblia, preferindo apresentar suas próprias ideias e espantosas “profecias”, como sendo a Palavra de Deus para hoje. Seu amigo Tommy Tenney, que escreveu o livro “The God Chassers”, concorda e revela ainda mais a atitude da TBN em relação à Palavra de Deus.
“Um caçador de Deus poderia ficar excitado sobre alguma verdade empoeirada”, Tommy escreveu, “uma coisa que aconteceu no passado e há quanto tempo. Este é o problema. Há quanto tempo ela existiu? Um verdadeiro caçador de Deus não se sente feliz apenas estudando páginas mostrando o que Deus fez; ele quer ver o que Deus está fazendo. Existe uma vasta diferença entre a verdade atual e a verdade do passado. Temo que a maior parte do que a igreja tem estudado seja do passado e muito pouco do que sabemos se relacione com a verdade atual”.
Exemplos de recentes ataques à Palavra de Deus no campo da TBN são numerosos demais para serem registrados. A TBN prossegue em sua tendência de enaltecer o ecumenismo, rebaixando a Bíblia e enaltecendo os mestres com escândalos associados aos seus ministérios. Sua rede virtual pode ser vista em qualquer parte do planeta, dando fôlego à Mãe das Prostituições.

IGREJA CATÓLICA ROMANA - Um serviço de notícias on-line registrou, recentemente: “A hierarquia da Igreja Católica Romana, que escreveu um documento dizendo que algumas partes da Bíblia não são verdadeiras, infelizmente são mal direcionadas’. Assim diz o bestselling Ray Comfort... Os bispos católicos da Inglaterra, Gales e Escócia, admoestaram na semana passada, seus milhões de adoradores, bem como outros que se entregaram ao estudo da Escritura, que eles não deveriam esperar uma ‘exatidão total’ da Bíblia”.
Ora, isso não é novidade na ICAR. Roma jamais teve a Escritura em alta estima, como sendo a Palavra de Deus. A Tradição da ICAR, através dos escritos dos “pais da igreja”, sempre tem seguido nesta mesma direção.

UNIDADE ECUMÊNICA NA DIVERSIDADE - Os que acreditam nos ensinos da Bíblia e defendem a fé que uma vez foi dada à igreja, há 2.000 anos, têm sido marginalizados. Eles recebem rótulos, dependendo do seu grupo: caçadores de heresias, fariseus, legalistas, etc. Isto mantém a maioria dos cristãos em silêncio, temendo ser desgostados.
A convocação atual nos ramos da Cristandade é no sentido de permitir que a cultura popular dite como devemos interpretar o viver conforme a Escritura, com os que se autodenominam cristãos. Estes afirmam que precisamos mudar, a fim de nos tornarmos importantes, e denunciam, como dogmáticos e retrógrados, os que permitem que a Bíblia dite sua crença e comportamento. A teologia pós-moderna não tem absolutos e seus inimigos são os que aceitam a Bíblia, literalmente.
Tais ideias jamais conseguiriam invadir uma igreja cristã bíblica com um ataque frontal. Não, elas entram pelos fundos e vão, aos poucos, introduzindo-se [N. T. – Ela começa com a igreja aceitando a música cristã contemporânea]. A Bíblia adverte sobre essa tática, em Judas 4: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”.
A pergunta que não pode calar é a seguinte: Para onde isso vai nos conduzir? A resposta pode ser a seguinte:
*A uma volta aos ídolos.
*A uma celebração dos ritos pagãos cristianizados.
*A uma mistura de ideais sagradas e profanas.
*A uma renúncia à autoridade da Bíblia por algo como a tolerância.
*A cambiar as histórias antigas (da Bíblia) pelas novas lorotas sobre o que Deus está fazendo agora, em todas as denominações religiosas.
*Ao Espiritualismo - Toda e qualquer expressão espiritual é aceitável, se parecer positiva.
*Ao Panenteísmo - a crença de que tudo na criação faz parte da essência divina.
* A nenhuma doutrina sobre o pecado, a queda, a redenção, o inferno, adotando o universalismo - ou seja - que todos os homens são filhos de Deus.
*A uma aceitação do estilo de vida homossexual, como igualzinho ao heterossexual.
*Ao pensamento de que tudo se torna um e ao de transformar o planeta num lugar pacífico, onde todas as religiões têm a verdade, podendo celebrar juntas.

CONCLUSÃO - Este ecumênico ataque à Palavra de Deus está resultando em prejuízo ao corpo de Cristo, num tempo de tremenda pandemia de mornidão espiritual. Ele se deve, em parte, a uma apatia pós “riso santo”, nas igrejas, quando ela esteve buscando emocionantes experiências espirituais, tendo ficado insatisfeita, quando estas não a conduziram ao ápice. Toda a conversa a respeito dos maiores reavivamentos espirituais dos tempos finais não aconteceu; portanto, os crentes que buscaram esses “moveres de Deus” ficaram decepcionados. Agora, Eles estão preparados para algo novo. Gostam de escutar que “Deus está fazendo coisas novas”. O que Ele fez nos tempos do Velho e do Novo Testamento não é importante para as pessoas de hoje. Agora, elas querem algo que possam escutar, provar, cheirar e tocar. Elas querem novidades. [N. T. - A Igreja Emergente deveria se chamar Igreja de S. Tomé]. Paulo falou sobre isso, em Atos 17:16-21: “E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria. -De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam. E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição. E tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser isto. (Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade)”.
Contudo, “nada existe de novo sob o sol”. Esses desejos carnais têm conduzido o povo de Deus à urgência, como os israelitas, de fabricar um bezerro de ouro. As exigências carnais levaram os judeus, no tempo de Jesus, a buscar um sinal, ao que Jesus respondeu: “Uma geração maligna e perversa busca um sinal” (Mateus 12:49. Ele os mandou de volta aos escritos dos profetas e ao sinal de Jonas. [N.T. – Este é o conselho que os pastores modernos, infelizmente, esquecem de dar aos crentes]. Os cristão salvos do Novo Testamento devem andar por fé (Habacuque 2:20; Romanos 1:17). Enquanto isso, o homem carnal só adora o que ele pode ver.
O que está emergindo é um lodaçal maligno, nestes tempos finais, o qual não se pode deter. Deus cegou as mentes dos que não amam a Palavra da Verdade. O máximo que se pode fazer é resgatar alguns dos que tropeçam acidentalmente, apontando-lhes o caminho verdadeiro, antes que sejam tragados pela Mãe das Prostituições. Ela está se formando, exatamente diante dos nossos olhos, para que vejamos que a nossa redenção está próxima. Jackie Alnor (jalnor@yahoo.com) - “Apostasy Alert”

Os Dinossauros na Bíblia?

(Autor: Pastor Monteiro Junior - O Pesquisador Cristão)


. “Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela. Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente, ou de uma grande caldeira. O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama” (Jó 41.19-21)ACF

. “Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi. Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre. Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos. Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro” (Jó 40.15-18)ACF


Introdução Alguém me disse uma vez que a ciência é superior a tudo. Que tudo pode ser explicado por ela, e que ela deveria ser colocada no lugar de Deus e todos os homens deveriam se curvar perante a ciência. Este mesmo alguém mencionou varias supostas provas sobre a superioridade da ciência sobre a Bíblia Sagrada e uma destas supostas provas eram os enormes fosseis de Dinossauros e animais pré-históricos que remontam uma historia para o nosso planeta cuja Bíblia não menciona ou apóia. Nosso objetivo, como mencionamos em algumas outras matérias é defender nossa fé. Mostrar que a Palavra de Deus é o único alicerce confiável, o único porto realmente seguro para firmarmos nosso coração e mente. Não desmerecendo é claro a ciência, pois até ela, queira o homem ou não, foi invenção de Deus. O fato de hoje estarmos encontrando fosseis de dinossauros e animais pré-históricos, que não são (segundo alguns acreditam) mencionados na Bíblia, não quer dizer que haja algum erro na palavra de Deus, mas sim que há uma necessidade de entendermos como é isso e o porquê disso.

“..... e o conhecimento se multiplicará” (Dn 12.4)ACF

Um ateu ou critico da Bíblia logo elucidaria o caso sem mesmo procurar explicações para ele. É incrível como homens se esforçam tanto para provarem teorias até mesmo ridículas, mas quando se trata de entender a Palavra de Deus e coisas referentes a Ele preferem ficar ignorantes e não fazer nenhum esforço para encontrar a verdade. Para chegarmos a algumas conclusões sobre a existência de dinossauros e entendermos as evidencias encontradas no registro fóssil vamos primeiramente trabalhar com algumas hipóteses e questões que precisam ser avaliadas com cuidado.

1º Se existiu um mundo pré-histórico a milhões de anos, então a Bíblia estaria mentindo quando afirma que a Terra teria apenas alguns milhares de anos?

2º Se os dinossauros realmente existiram, por que a Bíblia não os menciona?

3º Se dinossauros existiram então os relatos bíblicos sobre a criação dos animais e dos seres humanos, não passam de uma mentira?

Como podemos ver, apenas nestes três pontos não há como consolidar as descobertas da existência de dinossauros com as narrativas bíblicas. Se aceitarmos a idéia de um mundo pré-histórico com criaturas gigantescas e um planeta totalmente jurássico como é comum vermos nas produções cinematográficas, então teremos que acreditar que a Bíblia não foi honesta conosco e que não passa de uma fabula, ou uma meia verdade. Teremos que abrir espaço para muitas outras teorias cientificas propostas pelo homem. Fazendo isso, acabaremos por abandonar totalmente o conceito de que a Bíblia é a palavra de um Deus criador, que arquitetou e criou todo o universo e a vida como nos é exposta nas Escrituras. Mas, e se encontrássemos provas de que os dinossauros realmente existiram e que se encaixam perfeitamente com a visão bíblia e que não há nada na existência destas criaturas que venha a desmentir a Palavra de Deus?

Para que isso aconteça teremos que trazer os dinossauros para tempos mais atuais da historia humana. Teremos que colocá-los vivos na época de Adão e Eva, nos tempos de Noé, Moisés, Davi e até quem sabe, em nossos dias. Mas será que isso é possível?

É exatamente isto que este artigo espera provar. Que este grande enigma referente a historia dos dinossauros e a narrativa bíblica, na verdade não é tão grande assim.


Os Dinossauros dentro da Bíblia

Por que a Bíblia não menciona a existência de Dinossauros?


E quem disse que a Bíblia não nos fala de Dinossauros? Em verdade existem varias referencias na Palavra de Deus que nos mostram a figura destes enormes e terríveis monstros. Devo porém lembrar que se alguém espera encontrar o termo “Dinossauros” na Bíblia, lamento dizer não ser isso possível, já que somente em 1841, Richard Owen utilizou a palavra dinossauro referida a um réptil gigante. A Bíblia não poderia mencionar em suas páginas uma palavra que seria inventada centenas de anos após sua formação final. Ou pelo menos neste caso não menciona esta palavra.

Na Bíblia sagrada existem algumas palavras e referencias usadas para nos descreverem os Dinossauros. São elas:

A primeira referência a estes seres é Gn 1.21 "Deus criou as grandes baleias...". A palavra hebraica para baleias é TANNIYM, que significa «monstro». Esta palavra surge mais de 20 vezes em toda a Bíblia.

Outra passagem relativa a dinossauros é Isaías 27.1. Fala de um tipo de dragão marinho denominado de Leviatã (veja Salmo 74.14; 104.26), e está descrito pelo próprio Deus em Jo 41.1-34.

. “Naquele dia o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar” (Is 27.1)ACF

. “Fizeste em pedaços as cabeças do leviatã, e o deste por mantimento aos habitantes do deserto” (Sl 74.14)ACF

. “Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde há seres sem número, animais pequenos e grandes. Ali andam os navios; e o leviatã que formaste para nele folgar” (Sl 104.25-26)ACF

A grande serpente chamada pela Bíblia de LEVIATÃ é apresentada como um animal de grande porte chegando a ser comparado com um navio. Em algumas versões das Escrituras traduzidas para nossa língua o Leviatã aparece com o nome de crocodilo. Alguns se valem desta errônea tradução para afirmar que ele não é uma criatura monstruosa e semelhante a um dragão.

Porem vamos analisar alguns dos versículos que nos falam deste animal e vejamos se é possível compará-lo com um simples crocodilo:

- “Põe a tua mão sobre ele, lembra-te da peleja, e nunca mais tal intentarás” (Jó 41.8)ACF

- “Quem descobrirá a face da sua roupa? Quem entrará na sua couraça dobrada?” (Jó 41.13)ACF

- “Quem abrirá as portas do seu rosto? Pois ao redor dos seus dentes está o terror” (Jó 41.14)ACF

- “As suas fortes escamas são o seu orgulho, cada uma fechada como com selo apertado” (Jó 41.15)ACF - “Uma à outra se chega tão perto, que nem o ar passa por entre elas” (Jó 41.16)ACF

- “Umas às outras se ligam; tanto aderem entre si, que não se podem separar” (Jó 41.17)ACF

- “Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pálpebras da alva” (Jó 41.18)ACF


Pelo que vemos apenas neste trecho era um animal grande e temido, possuía um corpo coberto de escamas e seus espirros produziam um grande estrondo ou até fogo:

- Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela. - Do seu nariz procede fumo, como duma panela fervente, ou duma grande caldeira. - O seu hálito faria acender os carvões; e da sua boca sai chama.

Vemos evidentemente ser um animal que soltava fogo pela boca, ou na mais longínqua das interpretações estariam a expressar a ferocidade deste animal. Porem a interpretação literal é mais aproximada do sentido que o autor parece querer dar ao texto, devido à ênfase ao fato do animal soltar fogo:

- No seu pescoço pousa a força; perante ele até a tristeza salta de prazer. - Os músculos da sua carne estão pegados entre si; cada um está firme nele, e nenhum se move. - O seu coração é firme como uma pedra e firme como a mó de baixo. - Levantando-se ele, tremem os valentes; em razão dos seus abalos se purificam. - Se alguém lhe tocar com a espada, essa não poderá penetrar, nem lança, dardo ou flecha. - Ele reputa o ferro palha, e o cobre pau podre. - A seta o não fará fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho. - As pedras atiradas são para ele como arestas, ri-se do brandir da lança. - Debaixo de si tem conchas pontiagudas; estende-se sobre cousas pontiagudas como na lama.

Era um animal imune a armas por causa da dureza de seu corpo ou couraça. Dando a entender também ser grande e forte. Os textos afirmam que para ele o ferro era semelhante a palha e o cobre semelhante a pau podre, podia também se lançar contra coisas pontiagudas e mal nenhum lhe faria:

- As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como quando os ungüentos fervem. - Após ele alumia o caminho; parece o abismo tornado em brancura de cãs. - Na terra não há cousa que se lhe possa comparar, pois foi feito para estar sem pavor.

Mais uma vez o texto relaciona este animal a fogo ou calor intenso e o distingue de qualquer outro animal existente na Terra. - Todo o alto vê; é rei sobre todos os filhos de animais altivos.

Por fim o texto bíblico nos mostra o animal como um gigante que podia ver tudo do alto e ser maior que qualquer outro animal gigante.

(Jó 41.8 ao 34)

Mediante a estas informações poderíamos concluir que este animal é um crocodilo? Obviamente que não! As características dadas na Bíblia sobre esta fera não se encaixam com a figura de um crocodilo e sim com um dragão ou possivelmente um Dinossauro. Alguns reconhecem as narrativas bíblicas sobre o Leviatã apenas como uma lenda, afirmando que o Livro de Jó era uma ficção, já que este livro nos transmite a imagem deste animal que se parece muito com as narrativas mitológicas sobre dragões e animais semelhantes, pois Jó afirma que o Leviatã cuspia fogo. Seria possível então este animal ter existido? Ou melhor seria possível ter havido um animal que cuspia fogo? Independente de os escritos de Jó falarem literalmente ou simbolicamente sobre este assunto, a possibilidade de ter existido algum animal que cuspia fogo, não é muito absurda.


Eis a prova: Deus preservou até aos dias de hoje alguns pequenos seres, chamados besouros bombardeiros, com pouco mais de 1 cm, que nos mostram como era possível lançar "fogo". Estes besouros têm um pequeno canhão nas suas caudas, cada qual com um gás venenoso. Quando sentem perigo misturam estes dois gases, formando uma bola de gás quente e nocivo que ataca os seus inimigos. Existem bolsas que armazenam substâncias inflamáveis como a hidroquinona e peróxido de hidrogênio que ao entrar em contato com o ambiente inflama. Esse besouro utiliza esse recurso para defesa e ao observarmos temos a impressão que o animal está expelindo fogo de seu corpo. O produto inflamável está a uma temperatura de 212°F (100°C) e é protegido pelo uso de um inibidor natural, não prejudicando o seu portador.


Dentre as descobertas que temos hoje, alguns dinossauros parecem se assemelhar com o besouro bombardeiro. O Kronossauro e o Hadrossauro e o Plesiossauro possuíam uma estrutura craniana com órgãos em forma de bexigas e câmaras provavelmente usadas para armazenar produtos químicos e também lançar estes produtos inflamáveis para proteger-se, ou atacar, sem queimar-se ou machucar-se. Em fosseis destes animais foram encontradas em seu crânio quantidades de magnésio metálico, uma substancia inflamável e que se torna ainda mais volátil em contato com a água. Isto explicaria muito bem as passagens bíblicas já mencionadas anteriormente.


Existe uma grande possibilidade que um destes dinossauros sejam a espécie que Bíblia chama de LEVIATÃ ou mesmo DRAGÃO.

Outro termo usado para definir a figura de um Dinossauro na Bíblia Sagrada é BEHEMOTH no original Hebraico. Algumas versões da Bíblia traduziram este nome como hipopótamo ou elefante. Porem é pouco provável que esta seja a tradução correta para a palavra, pois as características aplicadas ao animal são totalmente diferentes das do hipopótamo e do elefante. Alem disso não são encontrados hipopótamos e elefantes nas regiões geográficas a que o texto faz referencia. É possível que a palavra Behemoth tenha sido assim traduzida por falta de referencias históricas sobre animais semelhantes a estes.

A palavra BEHEMOTH ou Be-hay-mohth, se fosse traduzida ao pé da letra teria um significado mais aproximado a "raposa marinha" ou quadrúpede de grande porte ou mesmo uma besta. Muitos estudiosos acreditam que o texto na realidade está se referindo a um dinossauro, o Braquiossauro, que se encaixaria melhor no que se refere a este estranho animal mencionado nas sagradas escrituras.

No livro de Jó um dos livros mais antigos da Bíblia temos a seguinte descrição deste animal: “Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi. Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre. Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos. Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro. Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada. Em verdade os montes lhe produzem pastos, onde todos os animais do campo folgam. Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama. As árvores sombrias o cobrem, com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam. Eis que um rio transborda, e ele não se apressa, confiando ainda que o Jordão se levante até à sua boca. Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?” (Jó 40.15-24)ACF.



O livro de Jó afirma que o animal move a cauda como o cedro. Isso nos dá a entender que havia um certo poder na cauda do animal mencionado, pois a sua cauda é comparada ao cedro que é uma arvore grande e forte. Não seria possível que este trecho estivesse se referindo ao elefante ou hipopótamo, pois suas caudas são insignificantes. Também existe a afirmação de que este animal habitava nos montes e que eles lhes eram pastos diferente de hipopótamos e elefantes. As narrativas de Jó descrevem, ou dão a entender que o animal era bastante grande, pois nem mesmo com o transbordar ou enchente de um rio como o Jordão "até sua boca" este animal não teria temores, o que poderia significar que era bastante pesado. Na biologia os dinossauros são classificados como répteis, sendo assim Gn 1.24 – 25 declara: “E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi.

E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom” (Gn 1.24-25)ACF


Logo se a Bíblia afirma que os répteis foram criados juntamente com os outros animais, resta agora o fator fé. Ou seja. Cabe ao homem crer na Bíblia ou não.

Fonte:

http://opesquisadorcristao.blogspot.com/2009/08/os-dinossauros-na-biblia.html

domingo, 15 de janeiro de 2012

MUDOU O SIGNIFICADO DE LOUVOR?


Nos últimos anos surgiram, no meio evangélico, expressões incluindo a palavra louvor, as quais se tornaram verdadeiros jargões. E, como se sabe, jargões se alastram que nem epidemia. Assim tornou-se comum ouvir dizer: “Vamos ouvir um louvor”, “ministério de louvor”, “louvor profético”, etc.

Isto tem me incomodado bastante. E, pelo que ouço e leio, tem incomodado a muitas outras pessoas. Reconheço que a linguagem humana é extremamente dinâmica, e o sentido das palavras é sempre mutante, o de algumas palavras mais que os de outras, mas acho que estamos indo longe demais no que respeita ao conceito do que é realmente louvor. Por isso investiguei o assunto e cheguei às seguintes conclusões:

1. Louvor é uma expressão de elogio e admiração referente a uma pessoa, um objeto ou uma atividade. Louvar é dar honra, glorificar, fazer apologia. Portanto, qualquer atitude que redunde nisso pode ser considerada louvor. Oração, discurso, poesia, texto, música cantada, enfim, qualquer meio de expressão verbal pode e deve ser usado para o louvor. Entretanto, entendemos que expressões corporais não constituem louvor, pois este se expressa basicamente através da palavra.

2. Na igreja, não podemos nem devemos considerar como louvor somente os cânticos que geralmente são liderados pelos jovens, usando violão, guitarra, teclado, bateria, etc., e que se caracterizam pela animação com que são cantados. Também os hinos antigos e novos dos nossos hinários são louvor. Também as músicas cantadas por corais, conjuntos, quartetos, solistas, etc., são louvor. Também as orações são louvor. Aliás, o culto todo é um ato de louvor.

3. O louvor cristão é uma expressão de elogio, de glorificação e de admiração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Quem deve estar em evidência são estas três pessoas da Trindade Divina, e não aquelas que lideram a congregação quando ela está louvando ao Senhor. Às vezes, em algumas reuniões, tenho tido a nítida impressão que o “período de louvor” é o momento de glória exatamente destas últimas pessoas, pois elas fazem de tudo para aparecer. Falam muito, fazem longas orações, gesticulam, algumas pulam, usam o som no alto mais volume, manipulam a congregação, etc.

4. Não existe um “ministério de louvor”. Podemos ministrar a Palavra, as ordenanças, ministrar aos necessitados e doentes, ministrar conforto aos enlutados, mas não o louvor, porque não é algo que fazemos em favor (ou no lugar) de alguém, mas algo que só pode ser exercido pelo próprio crente, como fruto de lábios que exaltam o Deus Todo-Poderoso. O louvor cristão só pode ser oferecido a uma pessoa, o Senhor de nossas vidas e, portanto, não é uma coisa que se possa ministrar.

5. Uma das doutrinas mais importantes do Novo Testamento é o sacerdócio universal dos crentes. O meu único sacerdote é Jesus, que me abriu um novo e vivo caminho diretamente até o trono da graça de Deus e eu não preciso que, além dele, alguém ministre e se dirija a Deus em meu lugar. Como bem disse a Carta aos Hebreus, quando Jesus, que como homem era descendente da tribo de Judá, foi constituído sumo sacerdote, cessou o ministério sacerdotal aarônico, isto é, dos descendentes de Aarão, que era da tribo de Levi. Não existem mais levitas, os quais eram, na velha aliança, sacerdotes que executavam os atos de adoração no lugar do povo. O povo mesmo nem sequer entrava no templo; era obrigado a permanecer nos átrios (dos homens, das mulheres e dos estrangeiros). Portanto, é incorreto chamar as pessoas que se dedicam à música na igreja de levitas.

6. O louvor não tem poder de libertar, salvar, curar, produzir profecia, exorcizar, etc., como muita gente pensa e ensina, pois, como ficou claro, é apenas uma manifestação de elogio e admiração. Aliás, esta idéia de poder veio do conceito de “louvor” como um “ministério”. Daí veio, também, a conseqüência de tornar o “louvor” a parte principal do culto. Nunca é demais lembrar que louvor é apenas exaltação daquele que tem todo o poder, Jesus Cristo, e que a proclamação da sua Palavra sempre deve ser a parte principal do culto.

7. O louvor deve levar-nos ao enlevo com a beleza e a emoção da palavra e da música, mas também à reflexão sobre a nossa relação com Deus. Deve motivar-nos a uma maior comunhão com Deus e com os irmãos. Por isto é importante que não só a melodia seja bonita, o ritmo e o estilo sejam adequados, mas que a letra seja biblicamente correta. O que cantamos deve levar-nos à adoração reflexiva, sincera e transformadora, e não a provocar em nós apenas respostas físicas e emocionais.

Pr. Sylvio Macri

I.B.C. de Oswaldo Cruz, Rio - RJ

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

TCHUTCHUCAS E TIGRÕES

Percival Puggina

Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher. Nos anos 40, cantava-se que "a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar". Nos anos 50, "o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar". Nos anos 60, "nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito". Hoje, a coisa está assim: "Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão". Ou, então: "Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó". Ou ainda: "Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar bunda lelê". E, para arrematar: "Eu sou o lobo mau, au au". "E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer".

Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, bom gosto e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores. Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas. O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.

Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível. Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem. Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.

"E daí?", talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade. A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada. Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo. Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social. O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?

As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Divórcio e Novo Casamento é o mesmo que adultério continuado?

Sem querer tomar atalhos ou evitar "ofender" pessoas que têm interesse pessoal no tema, vamos direto ao assunto e vejamos o ensino cristalino do Novo Testamento sobre Divórcio e Novo Casamento. Quando alguém quer se evadir de conclusões contundentes e dogmáticas, geralmente se diz que determinado assunto é "polêmico" (do Grego polemeo = guerra). Nosso apelo aqui é o seguinte: Vamos ficar em paz com a Palavra de Deus sobre esse assunto? Não há guerra alguma aqui, quando temos um espírito submisso à Palavra de Deus. Não tentemos forçar situações particulares sobre a Palavra de Deus, mas analisemos o ensino Bíblico.

Vejamos as sete passagens do Novo Testamento que lidam com o assunto e que categoricamente afirmam a indissolubilidade total do casamento enquanto o homem e a mulher dessa união estão vivos.

1. Mat. 5:32 "Porém, eu vos digo, que todo aquele que repudiar sua esposa, a não ser por causa de fornicação, causa que ela cometa adultério, e todo aquele que se casar com ela que é divorciada, comete adultério."

Na Bíblia King James:

"But I say unto you, That whosoever shall put away his wife, saving for the cause of fornication, causeth her to commit adultery: and whosoever shall marry her that is divorced committeth adultery."

Explicação:

1.1 Notemos aqui, que o Senhor Jesus Cristo está afirmando a indissolubilidade total do casamento enquanto o marido e a esposa estão vivos. Note que somente no evangelho de Mateus (Mat. 5:32 e Mat. 19:9) estão inseridas a ressalva (exceção; reserva) "a não ser por causa de fornicação" (note que essa é que é a correta palavra usada, inclusive por João Ferreira de Almeida em 1693, pois vem do grego "porneia"), porque isso se aplica a situação peculiar (próprio) dos Judeus. Veja Mt. 5:1 “E JESUS, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos” . A quem Ele estava se dirigindo? - à multidão e aos discípulos. Essa foi a exata situação em que José pensou erradamente de Maria. Os fariseus também cometeram esse erro, mas de forma blasfema em João 8:41 (Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, [que é] Deus.), acusando o Senhor Jesus como sendo nascido de fornicação (porneia) e não de adultério (moicheia). Note que em Mat. 1:20 o anjo dirigindo-se a José, chamou Maria de "tua mulher" (ou esposa) embora o casamento não tinha sido celebrado e consumado, ou seja, eles ainda não tinham se tornado uma só carne, mas eram marido e mulher. Nesse caso, Jesus está dizendo que o casamento poderia ser cancelado, caso houvesse fornicação, situação na qual a pessoa está a um passo do inferno (1 Cor. 6:10, Judas 1:7, Ap. 21:8).




1.2 Note que a palavra não é o verbo “comete adultério (moichao)”, que ocorre duas vezes no verso, mas propositalmente não é usada pelo Senhor Jesus para a exceção. Por quê? Teria O Mestre se esquecido? Teria Ele perdido essa oportunidade de ser claro, usando o triste fato do adultério para a desculpa do divórcio? Não. A palavra adultério não foi usada porque a exceção não se aplica aos que se tornaram uma só carne, mas aos que estavam em contrato de casamento (em Hebraico: 'aras ou kiddushin, em inglês: betrothal - Ex. 22:16, Lev. 19:20, Dt. 22:23, 28:30). Note que no mesmo evangelho (Mt. 1:18), Maria era desposada (Grego: mnesteuo) com José e não casada (gameo). É para esse caso especial, e apenas nesse caso dos Judeus, que Jesus está se referindo, porque o casamento não tinha se consumado. Nesse caso, o pecado é fornicação que quebraria o pacto do "esposamento" e não de casamento. É muito simples!




1.3 Note que Jesus começa sua argumentação com a conjunção adversativa PORÉM. Isso nos diz que há um contraste entre o que os Judeus queriam ouvir e o que Jesus estava ensinando. Se Jesus estivesse defendendo o divórcio após o casamento, não haveria nenhuma necessidade da conjunção adversativa PORÉM.

1.4 Note que a mulher ( parte chamada inocente) está divorciada, mas Jesus não reconhece nenhum divórcio, qualificando essa outra união de adultério.

1.5 Note a reação desesperada dos discípulos em Mateus 19:9. Vejamos:

2. Mat. 19:9-10

"Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, exceto sendo em caso de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar."

Na Bíblia King James:

"And I say unto you, Whosoever shall put away his wife, except it be for fornication, and shall marry another, committeth adultery: and whoso marrieth her which is put away doth commit adultery. His disciples say unto him, If the case of the man be so with his wife, it is not good to marry."

Explicação:

Notemos que esse homem casa com outra mulher (qualquer que seja a situação dela). É outro casamento, mas não vale nada diante de Deus. Essa nova união é considerada adultério porque obviamente o verdadeiro casamento continua em vigor. A reação desesperada dos discípulos e a réplica do Senhor Jesus Cristo, são uma das mais fortes evidências que o Senhor foi muito bem entendido quando negou totalmente a possibilidade de divórcio e novo casamento. Vejamos:

Os discípulos ficaram desesperados e se surpreenderam com esse altíssimo padrão de casamento. Em suas mentes, o divórcio e novo casamento eram sempre uma opção. A única dúvida que eles tinham era se podia ser por qualquer motivo ou apenas em caso de adultério. Quando Jesus fechou essas duas portas, eles ficaram pasmos. Para expressar a frustração, eles partiram para a apelação: de acordo com eles, seria melhor nem casar. Talvez eles estivessem dizendo que Jesus era muito radical, inviabilizando o casamento com essa "descabida" e altíssima exigência. O Senhor Jesus, então, ao invés de conceder a verdade como fazem esses pastores irresponsáveis que aconselham pessoas a se divorciar e casam divorciados, não cedeu um milímetro e afirmou que nem todos tem a competência espiritual para entender o assunto, mas apenas aqueles a quem foi concedido, ou seja, o problema não está no casamento e suas divinas implicações, mas no pecado de rebelião do homem que sempre corrompe o plano de Deus. Note que os discípulos distorceram o que Deus disse. Em Gn. 2:18, Deus disse "Não é bom que o homem esteja só...". Aqui os discípulos dizem que não convém casar. Creio que eles estavam usados pelo Diabo, exatamente como Pedro em Mat. 16:23, para distorcer a Palavra de Deus e desmoralizar o ensino de Jesus. O Senhor, como Autor do casamento, rejeita categoricamente a arrogância humana e reafirma a santidade da instituição divina. Note aqui outra coisa reveladora. Essa mulher, abandonada pelo marido que se envolveu em outro casamento (adúltero), é teoricamente a "parte inocente" como muitos querem. Todavia, O Senhor Jesus nos diz que ela não tem o direito de casar novamente. Se ela assim o fizer será adúltera também, porque esse outro homem que se casa com ela comete adultério. Ninguém comete adultério sozinho: "...e o que casar com a repudiada, também comete adultério."

3. Mar. 10:11-12

"E ele lhes disse: Todo aquele que repudiar a sua mulher e se casa com outra, adultera contra ela. E, se uma mulher repudiar o marido dela, e se casa com outro, ela comete adultério."

Na Bíblia King James:

And he saith unto them, Whosoever shall put away his wife, and marry another, committeth adultery against her. And if a woman shall put away her husband, and be married to another, she committeth adultery.

Explicação:

Notemos aqui a total ausência da exceção. Por quê? Porque o evangelho de Lucas foi escrito a Teófilo (Lucas 1:3), um Grego. A proibição absoluta do divórcio e novo casamento é cristalina. Note que o verbo "casa" está no aoristo. Ocorre uma ação no tempo (casa) que provoca, ou causa uma outra ação "comete adultério", que está no presente do indicativo. Uma ação no tempo (casamento com outra pessoa) provoca uma situação contínua no presente (comete adultério). Enquanto essa união permanecer, a condição de adultério permanece. No Grego, o presente do indicativo significa uma ação continuada ou o estado de uma ação incompleta (Greek New Testament, William Davis, p. 25). O presente do indicativo, portanto, é uma ação ocorrendo no presente, podendo ser tanto contínua (por exemplo: "eu estou estudando") ou indefinida ("eu estudo").

A proibição do divórcio e novo casamento é mais do que óbvia em todos esses sete versos sendo examinados. Continuemos a ver os quatro versos restantes abaixo:

4. Luc. 16:18

"Todo aquele que repudia sua esposa, e casa com outra, comete adultério; e todo aquele que casa com ela que é repudiada pelo marido, comete adultério."

Na Bíblia King James:

"Whosoever putteth away his wife, and marrieth another, committeth adultery: and whosoever marrieth her that is put away from her husband committeth adultery."

Explicação:

Novamente o verbo "comete adultério" está na voz ativa e no presente do indicativo.

5. Rom. 7:2-3

Porque a mulher que tem marido, está ligada pela lei ao marido dela enquanto ele estiver vivendo; mas se o marido morrer, ela está livre da lei do marido dela.

De sorte que, enquanto estiver vivendo o marido dela, se ela se casar com outro homem, ela será chamada de adúltera; mas, se morto o marido dela, ela livre está daquela lei; de modo que ela não é adúltera, ainda que ela se case com outro homem.

Na Bíblia King James:

For the woman which hath an husband is bound by the law to her husband so long as he liveth; but if the husband be dead, she is loosed from the law of her husband.

So then if, while her husband liveth, she be married to another man, she shall be called an adulteress: but if her husband be dead, she is free from that law; so that she is no adulteress, though she be married to another man.

Explicação:

Note aqui muitas coisa interessantes:

5.1. Essa mulher casa novamente com outro homem, estando o seu marido ainda vivo;

5.2. Essa mulher que casa novamente (não interessa o motivo nem a "legitimidade" atribuída pelos homens) com outro homem, não se livrou do fato que o seu legítimo marido (o primeiro) ainda é chamado de m a r i d o. Não existe isso de ex-marido na Bíblia. Isso foi inventado por pecadores para racionalizar o pecado de adultério. Somente esse argumento de que o legítimo marido ainda é chamado de m a r i d o, apesar da mulher estar divorciada e casada com outro, derruba por terra toda a tentativa inútil de dizer que a nova união é reconhecida por Deus. A nova união não é reconhecida por Deus, sendo a essa mulher aplicado o título de adúltera! Ela tem dois maridos! Veja o verso! Se o divórcio é válido e anula o casamento, então esse versículo estaria totalmente errado na sua afirmação, pois ele contradiz claramente a tese do divórcio e novo casamento, gerando um total descrédito na Palavra de Deus e lançando a inerrância na lata do lixo!

5.3. Ela será chamada (Grego chrematizo = considere-se avisada por Deus) de adúltera. Isso significa que ela está num estado de adultério, não apenas num ato de adultério isolado como querem alguns. Ela será chamada de adúltera! Esse é o título dela. Note que a situação de adúltera é válida enquanto o marido verdadeiro estiver vivo. Isso é uma tragédia muito triste, mas é o retrato que a Palavra de Deus apresenta acerca desse pecado!

5.4. Note que a condição é "enquanto ele estiver vivendo" e não "enquanto ele for fiel" ou "até quando eles se divorciarem" como querem os defensores do divórcio por causa de infidelidade.

· Infidelidade não quebra a união do casamento.

· Abandono não quebra a união do casamento.

· Divórcio não quebra a união do casamento.

Infidelidade abandono e divórcio trazem maldição e profanação para o casamanto, mas não quebra a união do casamento. Os dois cônjuges continuam uma só carne até que a morte os separem. É impressionante a fala dobre de pessoas inconstantes (Pv. 17:20; Tg. 1:8). Muita gente fala uma coisa, mas no fundo de suas mentes pensam de outra maneira. Na hora de aplicar, não agem de acordo com o que falam nos votos. O nome disso é hipocrisia. Não há uma só linha no Novo Testamento que dê base para quebra do pacto do casamento que não seja a morte. A única condição para o novo casamento é somente "se o marido morrer" e ponto final. É óbvio e cristalino...

Uma pergunta sempre surge: Qual o conselho que se deve dar para pessoas que se divorciaram e recasaram? Isso é um problema que cada um tem que resolver por si. Não creio que nenhum pastor deva se meter nessa questão, pois as pessoas que se meteram nessa confusão de novo casamento é que são responsáveis por seus atos e devem elas mesmas resolver o problema. Os princípios Bíblicos são esses aqui expostos, mas as pessoas é que devem elas próprias decidir. Isso parece duro, mas o fato é que depois que as pessoas estragaram as suas vidas, existe essa vontade de criar a válvula de escape que os outros que devem resolver e decidir por elas. Existe uma tendência de jogar o abacaxi nas costas do pastor. E depois se os problemas aumentam, e eles irão aumentar..., o pastor é o culpado. Nada disso! Quem se meteu na confusão é que são os culpados, eles é que resolvam. Cair numa armadilha de aconselhar divorciados é uma fogueira que todo pastor deve evitar. Pessoas divorciadas e recasadas não devem ser aceitas como membros, muito menos servir no ministério da igreja local. É duro, mas é Bíblico (1Co. 5:9-13; 6:10; Gal. 5:19-21...) Por isso as igrejas devem ter pesada carga de ensino sobre a família e concentrar o ministério em aconselhamento preventivo tanto para jovens como para casais (perigo: nunca deve se fazer aconselhamento misto: homem aconselha homem, mulher aconselha mulher...).

6. 1Co. 7:11

Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.

Na Bíblia King James:

"But and if she depart, let her remain unmarried, or be reconciled to her husband: and let not the husband put away his wife."

Explicação:

Caso haja separação entre marido e mulher, e essa é uma possibilidade e até uma necessidade em casos específicos, há somente duas opções:

6.1 Fique sem casar; ou

6.2 Se reconcilie.

PONTO FINAL. Nada de divórcio ou novo casamento. Note que para ela e o marido (note que há o artigo definido "o" também presente no texto Grego: "o marido" denota ser aquele o verdadeiro e único) se reconciliarem, é óbvio que ao marido também é terminantemente proibido recasar. Pessoas irresponsáveis, quando se divorciam, mal esperam secar a tinta do papel do divórcio humano, que nada vale para Deus, e já se aventuram em outro relacionamento (adúltero) fechando definitivamente, muitas vezes, a porta para a reconciliação. Isso impede a única solução Bíblica de restauração em caso de arrependimento. Notemos que no verso 15, a expressão "nos chamou para a paz" não tem nada a ver com recasamento, que obviamente seria uma contradição com o verso 11, mas fala do crente estar livre de qualquer culpa sobre as obrigações conjugais, caso o descrente o abandone.

7. 1Co. 7:39

"A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor."

Na Bíblia King James:

"The wife is bound by the law as long as her husband liveth; but if her husband be dead, she is at liberty to be married to whom she will; only in the Lord."

Explicação:

Note aqui que o advérbio de tempo "enquanto" ou a expressão sinônima usada "todo o tempo (Grego: chronos) que o seu marido vive". Aqui vemos que o assunto da ligação da mulher com o seu marido está submetido e transportado para uma única dimensão que é a do tempo, ou seja, não há nenhuma outra escapatória, nenhuma outra circunstância que anule esse casamento, durante o tempo em que o seu marido esteja vivo. Novamente, absolutamente nada sobre divórcio e recasamento, exatamente como em Mar. 10:10-11, Luc. 16:18, Rom. 7:3 e 1 Cor. 7:11! O divórcio com novo casamento, aliás, está diretamente chamando de MENTIRA o que esse verso diz, pois diz que que a mulher fica livre para casar com quem quiser durante "o tempo" que o marido vive (note novamente que há o artigo definido "o" no texto Grego, indicando que aquele é o único verdadeiro marido). A Bíblia declara que o casamento é indissolúvel até a morte de um dos cônjuges.

Conclusão:

O divórcio e o recasamento de qualquer mulher com outro homem enquanto seu marido esteja vivo, ou o casamento de qualquer homem com outra mulher enquanto sua esposa esteja viva, é ao mesmo tempo, uma blasfêmia contra Deus e uma situação de adultério continuado cometido por ambas as pessoas da nova união:

1. Porque quem recasa está declarando para todo o mundo que MENTIU ao fazer os votos dizendo "até que a morte nos separe".

2. Porque quem se divorcia e recasa está totalmente desmoralizado para com a próxima geração, destruindo a esperança de exemplo de santidade para com aqueles que nos seguem, em meio a uma sociedade corrompida e perversa.

3. Porque quem recasa destruiu, irremediavelmente, a figura indissolúvel do relacionamento entre Cristo e a igreja, comparados com o marido e com a esposa respectivamente (Ef. 5:24-25).

4. Porque a outra parte, mesmo que seja solteira (total insanidade e desperdício da própria vida de quem assim o faz), também comete adultério. Nesse caso, essa pessoa solteira que se casa com um divorciado, fica sujeita à uma situação de estrago terrível. Se continuar no relacionamento está em adultério. Se partir para outro relacionamento, é adultério também, pois estaria no segundo casamento. A pessoa solteira que casa com um divorciado (a) se submete à dívida do casamento, mas não está sob as bênçãos dele. A única solução é ficar solteiro (a) até que morra o ilícito cônjuge (a Bíblia chama-o de marido Jo. 4:18).

5. Porque ao pastor está terminantemente proibido ser divorciado (1Tim. 3:1-2). Ele é um exemplo para ser seguido por todos os membros da igreja (1Tim. 4:12, Tit. 2:7).

6. Porque quem recasa está desonrando a figura Bíblica da relação entre a lei e a morte (Romanos capítulo 7). A lei exige a morte. A única coisa que quebra a maldição da lei sobre o pecador é a morte. O crente morreu com Cristo (Rom. 7:4), por isso é que estamos livres da lei. Da mesma maneira, a lei do casamento exige a morte para ser cancelada. O divorciado que recasa, está blasfemando contra a Palavra de Deus, dizendo que o divórcio, não a morte, anula a lei. Isso destrói totalmente a figura que Deus estabeleceu na Sua Palavra para que entendamos o significado da morte de Cristo. Isso é um assunto muito sério! Isso de insistir no atalho do divórcio, é apenas uma maneira sutil de chamar Deus de mentiroso. Não existe atalho algum para anular a relação entre a lei e o pecador. Só a morte quebra essa relação! Só a morte quebra a relação entre o marido e a mulher! Recasamento seguido de divórcio é adultério continuado.

20 Argumentos errados usados para tentar justificar divórcio e novo casamento

1. A parte inocente tem direito de se divorciar e recasar.

Resposta: Errado! Primeiro: Não há parte "inocente" num divórcio. Há pecados de comissão e omissão. Há recusa em prover: o amor conjugal, o carinho, o cuidado, o afeto genuíno e muitas outras omissões que os olhos não vêm. Mesmo que não haja algo como citado, quando um casamento fracassa os dois falharam. Eles casaram por comum acordo. Segundo: ninguém tem "direito". Casamento é um privilégio, não um direito. Certas pessoas não recebem esse dom por vários motivos. Muitas casam tarde e outras pessoas ficam viúvas sem nunca mais casarem novamente, embora essa seja a única permissão na Bíblia para recasamento.

2. Certos casamentos não foram "feitos no céu". Nesses casos o divórcio é válido.

Resposta: Errado! Nenhum casamento é feito no céu. Todos são feitos na Terra. Deus sela essa união, quer seja dentro da Sua perfeita vontade ou não, quer seja feito entre crentes ou descrentes ou mistos (isso é pecado ver 2Co. 6:14). Todos aqueles que argumentam isso, nunca foram ao céu para ver se certo casamento foi feito no céu. Na verdade essa é uma desculpa que todos os que querem recasar irão usar como tolo escape, já que ninguém poderá contestar a validade desse argumento.

3. Todo casamento pode ser cancelado em caso de adultério.

Resposta: Errado! Não há uma só linha no Novo Testamento que prove essa afirmação. A Bíblia deve ser interpretada sob o ensino dispensacionalista. O Velho Testamento está em outra dispensação. Não há ensino trans-dispensacionalista (algo que esteja valendo para mais de uma dispensação como a pena de morte, por exemplo) sobre esse assunto. No Velho Testamento, o ensino era outro, como Jesus mesmo disse: "...eu PORÉM vos digo..." Nesse ensino, Jesus fechou totalmente a porta para divórcio e novo casamento, chamando-o de adultério.

4. Certos casamentos tem que ser desfeitos por causa de abandono.

Resposta: Errado! Se houver abandono, "fique sem casar" (1Co. 7:11). Isso é porque o casamento não é desfeito. Em 1 Co. 6:1-6, há uma terminante proibição em ir aos tribunais, e por consequência, de se divorciar. Isso é um pecado. É melhor sofrer o dano do que desonrar a Jesus Cristo, é o que Paulo diz. Em caso de abandono: fique sem casar, ou se reconcilie (caso haja condições com doloroso arrependimento, humilhação, perdão e restauração).

5. Em Mat. 5:32 temos a permissão para divórcio.

Resposta: Errado! A exceção não refere-se a adultério como O Senhor Jesus poderia mencionar claramente, se assim o desejasse. Note que a palavra usada por Jesus é outra. É fornicação. Isso se refere ao pecado de infidelidade durante o contrato de casamento, mas antes do casamento se consumar. Em 5 das 7 passagens do Novo Testamento que tratam do assunto, não há exceção alguma. Em Mar. 10:6-11 não há exceção alguma. "Todo aquele" significa qualquer um, sem exceção alguma. Em Lucas 16:18, não temos "se", "mas", ou "e". Se qualquer homem casa com uma divorciada, comete adultério. Em Rom. 7:2-3, temos o ensino claro e abrangente sem exceção alguma. Somente a morte quebra a ligação. Em 1Cor. 7:10-11, não temos nada de divórcio. Caso aconteça uma separação, restam apenas 2 opções: permaneça solteiro pelo resto da vida (ou até que a outra pessoa morra) ou que se reconcilie. Em 1Co. 7:39, só a morte quebra a ligação conjugal.

6. As escolas de Shammai (dovórcio só em caso de adultério) e Hillel (por qualquer motivo) devem ser consideradas.

Resposta: Errado! Isso não interessa:

1- Porque é tradição humana;

2- Porque mesmo que não fosse, pertence a outra dispensação;

3- Porque refere-se aos judeus e;

4- Porque O Senhor Jesus rejeitou ambas.

7. "Depois que uma mulher casa com um segundo homem não poderá voltar ao primeiro nunca, (Dt. 24.1-4)."

Resposta: Errado! Isso se refere à outra dispensação, a da lei. No Novo Testamento, essa reconciliação é ensinada em 1Co. 7:11. Isso, aliás, é a única maneira lícita dessa mulher poder viver maritalmente enquanto seu legítimo marido esteja vivo: é viver com ele. Lebremo-nos novamente para fixarmos: "enquanto estiver vivendo o marido dela, se ela estiver casada com outro homem, será chamada adúltera..." (Rom. 7:3)

8. "O expediente de exigir de uma mulher recém-convertida, que já passou por duas (ou mais) uniões, que volte ao primeiro marido é tristemente antibíblico - só faz desgraça."

Resposta: Errado! Desgraça é viver em adultério continuado. O marido dessa mulher é o primeiro. Note novamente Romanos 7:3: "enquanto estiver vivendo o marido dela..." Note que nas duas vezes que esse homem é citado há um artigo antes. Ou seja, ele é O marido. Essa mulher recém convertida do exemplo, que vive com outro homem que não o seu primeiro (o) marido (o único que é o verdadeiro marido), está cometendo (presente do indicativo) adultério. Ninguém vai "exigir" nada de ninguém. A Bíblia deve ser pregada e as pessoas é que são responsáveis diante de Deus e pelas consequências de seus atos. Ela tem duas opções: Ou se reconcilia com o verdadeiro marido, ou fica como solteira (1Co. 7:11). O que não pode, é pessoas em situação de adultério, serem aceitas como membros de igrejas, ou exigirem membrezia, ou participarem do ministério das mesmas em pé de igualdade com famílias Biblicamente constituídas, que lutam com unhas e dentes para preservar a santidade do casamento para colherem as bênçãos para si, para a igreja e para a próxima geração. Isso sim é que seria um rebaixamento, desastre e desgraça para a instituição da família, e Deus sabiamente deixou isso bem claro na Bíblia. Outra falácia do enunciado é o uso da situação aplicada à "recém convertida". Desgraça seria para esse primeiro marido dessa mulher que poderia (hipoteticamente) estar esperando a reconciliação, mas vê a sua mulher vivendo com outro, e ainda ser aceita por uma igreja que diz crer na Bíblia. A falácia está em trazer a emoção para dentro do debate e apelar para se ter compaixão (ninguém ousaria negar esse sentimento) da pessoa nova convertida para reforçar o argumento do recasamento. Pecado, entretanto, é sempre pecado, não importa se ele é cometido há 30 anos ou se o é por uma "recém convertida".

Jesus, a compaixão em pessoa, confrontou claramente o adultério da mulher Samaritana em Jo. 4:18. Se o divórcio e novo casamento fossem válidos, por que O Amoroso Salvador mencionou o fato da pobre pecadora ter tido cinco maridos? Simples! Porque ela cometeu vários adultérios. Ela se casou com cinco deles. Note que um dos homens não era marido, ou seja, o homem com o qual ela estava convivendo não era fruto de casamento, mas é claro que todos os relacionamentos (exceto o primeiro - é evidente que ele era o marido) foram censurados pelo Mestre. Se o recasamento fosse endossado pelo Senhor, ele teria apenas dito à mulher que se casasse com o seu amante e tudo estaria resolvido... Todavia, Jesus não fez isso, mas a repreendeu pelo fato dela ter cometido vários adultérios, trazendo à tona o passado imoral dela. Na sempre mutante e corrupta lei dos homens, existe a inconstância das "emoções" ou a "prescrição" porque algo aconteceu, ou tem acontecido há muito tempo, mas não nos princípios imutáveis da lei de Deus.

9. A exceção deve ser considerada como adultério em Mateus 5:32 e 19:9.

Resposta: Errado! A palavra da exceção é fornicação (usada 1 vez em cada verso) e não adultério (usada 2 vezes em cada verso). O contexto imediato desses dois versos deve ser respeitado como um fator guia e levado em consideração para ser interpretada corretamente uma certa palavra e para que o sentido no verso seja entendido. Em Mateus 5:32 e 19:9, dois termos diferentes são usados e justapostos, de forma que não se pode negligenciar nem negar. A palavra fornicação (porneia) é diferenciada do verbo adultera (moicheo). Palavras diferentes significam coisas diferentes! A exceção se aplica ao contrato de casamento que era uma situação peculiar dos Judeus que é o destinatário imediato desse evangelho. Por isso é que só o evangelho de Mateus (escrito para os Judeus) é que traz essa explicação extra. Será que Deus iria se "esquecer" dessa vital exceção nos outros 5 versos em que o assunto é tratado? Absolutamente não! Se Ele não colocou a exceção em caso de adultério, é porque ela não existe! O ensino é cristalino nos outros versos onde a proibição absoluta de recasamento enquanto o cônjuge original esteja vivo é claramente ensinada. Não há divórcio e novo casamento permitido em nenhuma parte do Novo Testamento. Não há recasamento permitido enquanto o cônjuge original esteja vivo. Essa relação é chamada de adultério.

10. Um casal que já era divorciado e casado novamente, ao se converter e confessar seu pecado, pode ficar unido e ser aceito como membros, pois tudo para trás está perdoado e "tudo se fez novo..." 2Co. 5:17.

Resposta: Errado! A lei conjugal não muda em nada quando uma pessoa se converte. Se essas duas pessoas se converteram, elas têm a obrigação de parar de cometer adultério continuado. A doutrina do arrependimento (Grego: metanoeo) diz que acontece uma mudança de mente, atitude e de comportamento quando uma pessoa é verdadeiramente salva. A expressão "tudo se fez novo" não tem nada a ver e não pode ser distorcida de maneira alguma para justificar situações pecaminosas após a conversão, muito pelo contrário! "Tudo se fez novo" nos ensina que a pessoa foi regenerada (nova criatura) e que houve uma mudança radical nos valores, crenças e atitudes. Suponhamos que um ladrão tenha em seu poder uma conta milionária fruto do seu furto. Ao dizer que se converteu, ele se recusa a devolver o dinheiro apelando para o "tudo se fez novo" do verso acima, vivendo esplendidamente. Isso seria uma afronta e não provaria conversão alguma. Esse é exatamente o mesmo caso do casal que se converte estando a viver em adultério sem querer a adotar solução Bíblica de reconciliar com o verdadeiro cônjuge - caso possível - ou ficar solteiro (a) - sempre possível.

Justamente porque uma pessoa foi perdoada, ela não tem o direito de continuar no pecado. (Romanos 6:1-2 aborda essa exata situação: "Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum..." O perdão lava os pecados passados, mas não dá licença para pecar no futuro (1 Jo. 3) Portanto, um casamento adúltero tem que ser terminado. Pecado continua pecado independente se foi antes ou depois da conversão.

Outra prova que o casamento não se dissolve com o divórcio: Note que Mateus, Marcos e Lucas referem-se a Herodias como a mulher de Filipe mesmo quando ela estava casada com Herodes. Note que Filipe ainda estava vivo, pois, segundo estoriadores Judeus, Filipe morreu 4 anos após a prisão de João Batista. Vejamos as referências:

"...Mulher de seu irmão Filipe..." (Mat. 14:3)

"...mulher de Filipe, seu irmão, porquanto tinha casado com ela." (Mar. 6:17)

"...Herodias, mulher de seu irmão Filipe..." (Luc. 3:19).

A condenação por João Batista era por causa de dois fatores:

1. Isso era adultério, pois ela era mulher de Filipe; e

2. Isso era incesto, pois era um relacionamento próximo, proibido terminantemente em Lev. 18:16.

11. A expressão "nos chamou para a paz" 1Co. 7:15 dá permissão para o recasamento.




Resposta: Errado! Nada se fala nesse verso sobre recasamento. A paz ali mencionada refere-se ao estado de não se estar mais sob as obrigações conjugais (Nota: obrigação conjugal é diferente de união conjugal - a união permanece até a morte). Nesse caso, após pedir perdão a Deus e aos homens, não se deve sentir culpa, pois houve tentativa de reconciliação sem sucesso, restando então, a única outra alternativa que é "fique sem casar" (permanecer como solteiro) até a morte do cônjuge (1Co. 7:11, 39).

12. Em 1 Co. 7:27-28, para os que estão livres, ou seja, divorciados, há a permissão de se casar novamente: "se te casares, não peca..."

Resposta: Errado! Nada se fala nesse verso sobre recasamento de divorciados. É mais do que óbvio que a expressão "livre", aplicada ao casamento, se refere aos viúvos! Veja em Rom. 7:2-3 em em 1Co. 7:39 como a palavra "livre" é usada apenas quando morre o marido. Notemos novamente em 1Co. 7:8-9, que somente os viúvos (as) e os solteiros (as) é que são as únicas pessoas qualificadas para se casarem.

13. A pessoa que casou novamente não pode mais se reconciliar com o primeiro cônjuge, pois vai ter que se divorciar do segundo cônjuge o que contraria 1 Co. 6:1-8.

Resposta: Errado! Esse segundo casamento nada vale diante de Deus, pois é considerado adultério. Se os homens o consideram erradamente de casamento, e um "divórcio" de acordo com as leis humanas é necessário para cancelá-lo, isso não viola 1 Co. 6:1-8, pois uma situação pecaminosa (que nunca deveria ter ocorrido em primeiro lugar) está sendo corrigida e não criada. Nos países onde a abominação do "casamento" de sodomitas é feito, quando há a conversão de qualquer um dos dois, o "divórcio" tem que ser feito imediatamente. Isso é o resultado da iniquidade de homens pecadores que usurpam sua posição de autoridade para blasfemar de Deus e da família.

14. O verso "Cada um fique na vocação que foi chamado", permite que o divorciado e casado novamente fique com o seu novo cônjuge quando se converte.

Resposta: Errado! Pela sadia Hermenêutica (interpretação da Bíblia pela própria Bíblia) sabemos que um verso não claro tem que ser olhado e iluminado pelos outros claros que lidam e ensinam sobre o mesmo assunto, sejam em passagens remotas ou próximas. Isso chama-se Princípio do Contexto. Outro princípio diz que a unidade, verdade e fidelidade de Deus, garantem que uma passagem na Sua Palavra não pode contradizer outras passagens. Isso chama-se Princípio da Concordância. Quando se interpreta uma parte das Escrituras de uma maneira que contradiz alguma outra parte das Escrituras sobre o mesmo assunto, sabemos que essa interpretação é errada. Quando uma correta interpretação é feita em qualquer assunto, ela não irá contradizer toda interpretação que possivelmente seja feita em alguma outra parte das Escrituras sobre o mesmo assunto.

Portanto, vocação (1Co. 7:20) ou estado (1Co. 7:24) não pode de maneira alguma se referir à situação de divórcio e recasamento, pois entraria em contradição com:

1- O verso anterior, 7:11, que só menciona as duas opções para os casados que se separaram: reconciliação ou fique sem casar;

2- O verso 7:39 que diz claramente que a mulher só fica livre "se falecer o seu marido" (singular e ainda acompanhado do artigo "o". No Grego: "ho anér").

3- Os dois versos em Romanos 7:2-3 que confirmam claramente o rompimento do casamento somente em caso de morte.

4- Os outros versos em que negam totalmente essa possibilidade.




5- O princípio Bíblico da restituição, no qual ao se arrepender, um pecador, deve devolver aquilo (nesse caso a mulher do próximo - Ex. 20:17 - ou outra que não a esposa) que não lhe pertence (Ex. 22:3-12; Lc. 19:8; Filem. 1:18), e ficar disponível para o legítimo cônjuge a quem pertence.

"Vocação em que foi chamado" se refere claramente ao caso do casal no qual um dos cônjuge se converteu e o outro não. Essa foi a pergunta dos Coríntios. Paulo está dizendo que a conversão de apenas um cônjuge não é motivo para se separar, porque a lei conjugal não muda em nada, quer seja antes, quer após a conversão. Se a parte descrente consente em preservar o casamento, não se deve separar (vs. 12 e 13). Se a parte descrente se rebelar contra o casamento, que fique sem que casar (v. 11). Nada sobre permissão de casar novamente. Isso só pode acontecer com viúvos que são os que ficaram "livres de mulher" (v. 27).

Ficar com o novo cônjuge, ao mesmo tempo que o legítimo cônjuge ainda esteja vivo, seria adultério continuado. Certas pessoas nem pensam nas implicações gravíssimas de suas tolas argumentações:

1. Uma prostituta poderia interpretar da mesma maneira, ela alegaria que poderia viver na "vocação que foi chamada".

2. Um sodomita poderia interpretar da mesma maneira, ele alegaria que poderia viver na "vocação que foi chamado".

3. Um fornicário, que tem relações continuadas com uma mulher sem ser casado, poderia interpretar da mesma maneira, ele alegaria que poderia viver na "vocação que foi chamado".

É claro que sabemos que nenhuma dessas pessoas iníquas mencionadas, poderá herdar o reino de Deus (1 Co. 6:10), ou seja, são perdidas, independente do que aleguem sobre ter se convertido. Essa racionalização é exatamente o que o apóstolo Judas falou em Judas 1:4 sobre heréticos que "...covertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus..."

15. O verso em 1 Tim. 3:2: "marido de uma mulher" aplicado ao bispo e diáconos (1Tim. 3:12), sugere que membros da igreja podem ter um padrão inferior e ser divorciados e recasados.

Resposta: Errado! Porque:

1. Isso seria aceitar e ser conivente com adultério na igreja;

2. Isso negaria que o bispo seria um exemplo dos fiéis;

3. Deixa a porta aberta para a poligamia;

4. Isso não é baseado nem no ensino claro e objetivo das Escrituras, nem na exegese sadia, mas na areia movediça de sugestões, inferências e conjecturas, que contradizem frontalmente o resto dos versos sobre o assunto; e

5. Isso poderia ser usado como desculpa para membros adotarem padrões inferiores quanto a serem dados ao vinho, ou avarentos ou todas as demais qualificações do bispo. Todas elas devem ser as qualificações de todos os membros da igreja também!

16. O voto mais recente (o voto do novo casamento) tem que ser mantido.

Resposta: Errado! O voto mais antigo é que tem que ser mantido! Esse voto do novo casamento viola totalmente a Palavra de Deus e é, de acordo com o Senhor Jesus Cristo, chamado de adultério, pois o primeiro casamento (e seu respectivo voto) continua em vigor! Não se pode fazer um novo voto, contrariando (Rom. 1:31 diz sobre os réprobos: "infiéis nos contratos") o primeiro voto! Essa racionalização humana, levada ao óbvio extremo dos irresponsáveis, deixa a porta aberta para libertinos (e como eles são muitos...) casarem tantas vezes quanto queiram, zombando da instituição do casamento, pois alegam: "o voto mais recente tem que ser mantido..." A Palavra de Deus está acima da palavra do homem, que se torna mentiroso (Rm. 3:4) quando não cumpre os seus votos (Prov. 20:25 Sal. 22:25; 50:14; 61:5-8; 66:13; 116:14, 18; Ecl. 5:4-5, Is. 19:21). Consequentemente, esse voto tolo (ver um voto abominável em Jer. 44:25) do recasamento, é pecaminoso e uma afronta contra Deus. Ele não tem valor algum, e deve ser quebrado imediatamente para não se continuar em adultério.

17. "Isso tudo é uma bobagem: um divorciado deve ele mesmo orar para saber se Deus quer ou não que ele case novamente."

Resposta: Errado! Essa tolice e hipocrisia sem tamanho é uma pura mentira, que quer colocar a decisão final nas emoções e vontades humanas, ao invés de na Palavra de Deus. Não se deve orar por aquilo que Deus já revelou claramente em sua Palavra. Isso é uma desculpa para pecar, exatamente como Balaão fez.

18. "Devemos pedir um sinal a Deus para saber se Ele quer ou não que alguém case novamente após divórcio."

Resposta: Errado! Isso de pedir sinal é uma incredulidade e um desrespeito contra Deus e à Sua Palavra. Novamente: Não se deve orar por aquilo que Deus já revelou claramente em sua Palavra. Isso é uma desculpa para pecar exatamente como Balaão fez.

19. "Não se deve romper um segundo casamento para retornar para o cônjuge original (1 Co. 7:10-11)."

Resposta: Errado! Esse verso fala exatamente de reconciliação com o cônjuge original! Nada se fala de se endossar um segundo casamento: Isso seria adultério! É justamente essa situação imoral e adúltera que Paulo está terminantemente proibindo!

20. "O segundo casamento não deve ser desfeito porque os filhos dessa união fruto do divórcio e recasamento não merecem sofrer (1 Co. 7:10-11)."

Resposta: Errado! Em primeiro lugar, esse argumento é um tiro pela culatra porque se houver filhos do legítimo casamento (primeiro), eles é que não deveriam sofrer! A questão todavia, não é quem merece ou não merece sofrer, pois quando há divórcio sempre há sofrimento. A questão é o que a Bíblia ensina: Divórcio e novo casamento é adultério. Em segundo lugar, o relacionamento marido-mulher (eles são uma só carne até a morte) é sempre a prioridade. Em terceiro lugar, nada justifica uma situação de adultério continuado nem mesmo o sofrimento de filhos dessa união. Deve-se destacar que a responsabilidade dos pais permanecem.

Para uma pessoa que professa ser nascida de novo e que vive numa situação de divórcio e novo casamento ler e meditar:

"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade."

Mt 7:22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?

Mt 7:23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

O Testemunho de Paulo sobre Jesus Cristo

Em nossa apresentação [anterior] sobre o testemunho do Novo Testamento a respeito da divindade de Jesus Cristo, chegamos somente até os evangelhos. Mas, agora, é necessário considerar também outros livros do Novo Testamento, especialmente as epístolas de Paulo.
A razão pela qual as epístolas de Paulo são especialmente importantes nesta conexão é que, nelas, podemos achar um ponto em comum em que possamos encontrar nossos adversários em debate [sem agressões], com os que negam a divindade de Cristo (opondo-se à religião cristã), pois praticamente toda crítica literária séria, hoje em dia, admite que as principais epístolas de Paulo foram realmente escritas pelo homem cujo nome elas contêm.
No caso dos quatro evangelhos não é tão fácil encontrar um terreno em comum com os oponentes; contudo, não pretendemos, também, desistir da esperança de encontrá-lo. Tentaremos mostrar que existe uma certa quantidade de concordância, até mesmo em relação aos evangelhos, entre os que são amigos e os que são inimigos do Cristianismo. É universalmente admitido, por historiadores confiáveis, que a descrição de Jesus feita nos evangelhos apresenta o quadro real de uma pessoa histórica.
Tentamos apontar certas consequências importantes, que provêm desta admissão. Mas, antes de tudo, o terreno que podemos encontrar com os oponentes, mesmo no campo dos evangelhos, não é tão amplo.
Em particular, existe uma discordância com relação às questões do que é conhecido pela “crítica literária”. Por exemplo, existe discordância em relação à autoria, à data e ao valor histórico de cada um dos evangelhos. Portanto, se começarmos assumindo que qualquer um dos evangelhos foi escrito pelo homem cujo nome vem anexado a mesmo, na opinião da igreja, imediatamente seremos acusados de iniciar uma disputa. A visão tradicional da autoria destes quatro livros é disputada pelos nossos oponentes, nesse grande debate.
Então, lembrem-se que não acho ser isto corretamente disputado. Desejo, perfeitamente, defender a visão tradicional da autoria dos evangelhos. Imagino ser muito importante defendê-la, com sucesso. Correta ou incorretamente, a visão tradicional da autoria dos evangelhos é disputada pelos críticos modernos.
Por outro lado, sobre as epístolas de Paulo não existe tal disputa. Até os críticos mais cépticos - exceto alguns extremistas, que não representam grande influência sobre o pensamento moderno - admitem que as principais epístolas de Paulo foram escritas pelo Apóstolo Paulo, na primeira geração da igreja cristã.
Esta admissão é, realmente, muito importante. Por isso, também acho ser muito importante que usemos todo o nosso esforço no sentido de conduzir os oponentes do evangelho a que eles aceitem as palavras de Paulo a respeito de Cristo. Como podem ver, não consideramos, com grandes preocupações na alma, as pessoas que diferem de nós, como sendo nossos inimigos. Ao contrário, ansiamos por ajudá-las.
Conhecendo algo sobre as limitações de nossas próprias vidas, ansiamos por ajudar os outros a saírem da miséria espiritual e vale a pena
achar um ponto em comum, em que possamos encontrar nossos adversários em debate [sem agressões], a fim de, mais tarde, podermos conduzi-los a que aceitem as coisas em que eles discordam. Desse modo, será bem-vindo o fato de que os amigos e inimigos do Cristianismo estejam de acordo em aceitar que as principais epístolas paulinas foram, realmente, escritas pelo Apóstolo Paulo.
O homem, Paulo, que escreveu essas epístolas foi contemporâneo de Jesus. Isso pode ser visto nas próprias epístolas, porque Paulo, na Epístola aos Gálatas, afirma que ele mesmo havia se encontrado com o irmão de Jesus, tendo fiado muito claro que esse encontro aconteceu, pouco tempo depois da morte de Jesus. Paulo passou 15 dias, conforme o capítulo 2, com Pedro, o qual pertencia ao círculo mais íntimo dos amigos de Jesus e, ao mesmo tempo, também, com Tiago, o irmão de Jesus. O contato com os mesmos homens também foi estabelecido, logo depois, com João, o qual, como Pedro, pertencia ao círculo mais íntimo dos amigos de Jesus. Barnabé e Silas, os quais, conforme o Livro de Atos, vieram da primeira igreja de Jerusalém, também estiveram com Paulo durante longos períodos de tempo, nas viagens missionárias. Conquanto seja objetado que o nosso conhecimento sobre esta conexão original da Igreja de Jerusalém derive apenas do Livro de Atos, e não das epístolas de Paulo, tem sido geralmente aceita a base histórica e concreta desses detalhes pessoais no Livro de Atos, como, provavelmente, admitida pela maioria dos críticos. De qualquer modo, está perfeitamente claro, em vista de todas as condições da vida de Paulo, que ele teve abundantes contatos com os que conheceram Jesus, quando Ele esteve na Terra.
Portanto, o testemunho de Paulo sobre Jesus é um assunto da mais alta importância para cada historiador cuidadoso, que esteja interessado no início da Igreja Primitiva. E tão importante também é que indaguemos qual o tipo de pessoa que Paulo achava que Jesus havia sido. A resposta a esta pergunta é muito surpreendente para qualquer pessoa que trate do assunto, com analogias comuns em sua mente, visto ficar imediatamente claro, de uma vez por todas, que Paulo considerava Jesus de um modo por demais extraordinário. Ele O considerava como uma pessoa sobrenatural, comportando-se diante de Jesus do mesmo modo como se estivesse diante de Deus.
É verdade que ele fala de Jesus como um homem. Porém, quando ele assim o faz, podemos observar que ele se refere a algo extraordinário, algo inesperado em alguém, que fosse apenas um homem. O que é mais importante na maneira como Paulo se refere a Jesus é que ele o coloca ao lado de Deus.
Desse modo, no início do Livro de Gálatas, por exemplo, Paulo escreve: “PAULO, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)...”(Gálatas 1:1).
“Nem por homem algum, mas por Jesus Cristo”, pois o homem é uma coisa e Cristo é bem outra. Ele está [infinitamente] acima de todo homem, pois está colocado ao lado de Deus o Pai. Poderia haver um testemunho mais claro sobre a divindade Cristo? Em pelo menos um lugar, Paulo aplica a Jesus Cristo a palavra grega (Theos) que no Inglês é traduzida como Deus. Refiro-me a Romanos 9:5, onde ele diz: “Cristo... o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém” Tem havido tentativas para evitar que a palavra “Deus”, nesta passagem, esteja se referindo a Cristo, porém é por demais duvidoso que essas tentativas sejam bem sucedidas. Conforme a clara construção das palavras, que se encontram em qualquer outro caso, estas deveriam ser consideradas por qualquer leitor como um assunto resolvido, ou seja, que Paulo, aqui está chamando Jesus de “Deus”.
Claro que, ordinariamente, ele não usa esta palavra, quando se refere a Cristo. Em geral, ele não aplica a Cristo a palavra comumente traduzida como “Deus”, nas Bíblias inglesas, mas, e daí? Ele aplica constantemente outra palavra, que pode ser claramente designada para a divindade, isto é, “Lord” = Senhor). Esta palavra tinha, realmente, o seu uso na vida comum, designando o senhor de escravos, ou coisa igual. Mas, também, era muito usada no contexto religioso – e, o que é mais importante - é a palavra usada no texto grego do Velho Testamento (que era a forma bíblica empregada por Paulo), para traduzir a palavra “Jeová”, o nome mais santo da Antiga Aliança de Deus com Israel, e Paulo não hesitava em aplicar a Jesus as passagens do Velho Testamento, que falam de Jeová.
Tendo em vista esta elevada significação da palavra “Senhor”, o Dr. B. B. Warfield é totalmente justificado, quando sugere que o título “Senhor” deve ser quase designado como o “nome trinitariano de Jesus Cristo” (1). Paulo ensina a doutrina da Trindade - conforme o Dr. Warfield aponta, só que ele usa uma terminologia de algum modo diferente, aquela à qual temos nos acostumado. Em vez de falar de “Deus Pai”, “Deus Filho” e “Deus Espírito Santo”, ele ensina a mesma doutrina que é ensinada, quando os homens usam esta outra terminologia. Esta Doutrina da Trindade inclui, é claro, a doutrina da divindade de Cristo.
A doutrina da Trindade está totalmente entremeada nas epístolas de Paulo. Não se trata, de modo algum, de algo isolado. Nem é preciso pesquisar para que ela seja encontrada. Ao contrário, não se pode avançar na teologia de Paulo sem a mesma. Abram as epístolas, quando bem desejarem, e ali irão encontrar sempre a afirmação da divindade de Cristo.
Tomemos, por exemplo, a maneira como Paulo fala de Cristo na abertura de todas as suas epístolas: “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”. Estas palavras em geral causam pouca impressão em nossas mentes. Nós mal as percebemos, simplesmente porque a elas nos acostumamos. Elas nunca estão ausentes nas epístolas de Paulo, porque estão totalmente de acordo com o que ele escreve, quando se refere a Cristo. Contudo, são as palavras mais admiráveis! Imaginem que se diga isto a respeito de outro homem que tenha existido - digamos sobre o maior dos reformadores, ou do homem mais santo entre os santos: “Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e de Martinho Lutero”, ou mesmo do Apóstolo Paulo, ou do Apóstolo João, o amado - seria imediatamente considerada uma blasfêmia. Então, quando Paulo diz: ““Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”, ele o diz por uma única razão, ou seja, porque Jesus Cristo é Deus! E sendo Deus, e somente por esta razão, Ele pode ser conectado com Deus Pai, desta estupenda maneira, sendo separado de todas as coisas que foram criadas no universo.
A razão pela qual não estranhamos estas estupendas palavras, quando as lemos no início das epístolas de Paulo, é que elas estão exatamente de acordo com TUDO que Paulo ensina sobre Jesus. A razão pela qual elas não se apresentam como peças montanhosas, nas epístolas paulinas, não significa que não sejam elevadas, mas porque tudo o mais que Paulo fala de Cristo é igualmente elevado.
Portanto, desejo que vocês estudem algo mais sobre a maneira pela qual Paulo ensina a divindade de Cristo. Vejamos: o ensino de Paulo sobre este assunto não é encontrado apenas nesta ou naquela passagem. Nem em certo número de passagens, onde Paulo atribui honra divina e glória a Cristo - não importa quantas vezes vocês possam encontrar essas passagens. Não. Paulo ensina a divindade de Cristo a partir do mais íntimo do seu coração e através de sua própria vida cristã.
Qual era a religião de Paulo? Precisamos saber a resposta a esta pergunta, porque ela tem um notável dom de revelação. Alguém, eu creio, disse que ele é o homem mais conhecido da antiguidade [N.T. - depois do Homem-Deus, Jesus Cristo, é claro]. Ele nos entrega o coração em suas epístolas. Ele não se mostra como um mestre acadêmico, mas como um homem de carne e osso, permitindo-nos conhecer as fontes mais íntimas de sua vida interior. Evidentemente, essas fontes de sua vida estavam na religião. Mas, ele nunca foi um homem intensamente religioso. Então, qual era a religião de Paulo? Ela é maravilhosamente apresentada nos documentos reveladores - suas epístolas? Sua religião consistia em ter fé em Deus, conforme a mesma fé que Jesus tinha em Deus? Será que Jesus foi para Paulo apenas um exemplo - apenas um pioneiro da vida religiosa, um homem que atingiu sua filiação com Deus, tendo inspirando outros homens a consegui-la?
Ora, algumas pessoas têm tentado ver as coisas desta maneira. Mas têm feito isto simplesmente para fechar os olhos ao que de fato existe nos documentos dos quais suas afirmações devem ser derivadas. Se vocês simplesmente fecharem o olhos, entendendo o que Paulo escreveu a seu bel prazer, estarão transformando-o num membro do que os homens chamam “a religião de Jesus”. Poderão estar transformando-o num homem, cuja religião teria consistido apenas de uma experiência religiosa, através da qual o próprio Jesus teria passado. Poderão estar transformando-o num homem, cuja religião consistia apenas de um esforço em ter a mesma fé em Deus que Jesus tinha.
Mas, no momento em que vocês deixarem de ser enganados em sua imaginação, por terem apenas algum conhecimento dos fatos; quando olharem Paulo, não como imaginam que ele deveria ter sido, poderão observar que a religião dele não consistia apenas de um esforço em ter a mesma fé em Deus que Jesus tinha, mas em ter fé em Cristo Jesus. Para ele, Jesus não era apenas um exemplo de fé, mas o objeto de sua fé. Para Paulo, Jesus era o exclusivo objeto de sua fé religiosa. Mas, o que isto significa?
Significa, meridianamente, que Paulo permanecia diante de Jesus não apenas conforme um discípulo permanece diante do seu mestre, mas conforme permanece um homem diante do seu Deus. A divindade de Cristo é o fundamento da vida de Paulo.
À luz deste fato, não nos surpreendemos ao ler o que Paulo escreveu, detalhadamente, a respeito de Cristo. Segundo ele, Cristo existiu desde a eternidade e era Aquele através de quem o mundo foi criado. Cristo veio ao mundo como um homem, mas não como os outros homens; Ele veio por vontade própria, num ato de maravilhosa condescendência e amor. Sua morte não foi apenas um nobre martírio, mas um ato de significação universal. Sua morte significou a redenção da ira e da maldição divina sobre uma grande multidão de homens de todas as nações. Após Sua morte, Cristo ressuscitou e está agora exaltado acima de todos os principados e poderes. Ele pertence, com o Pai, a uma categoria inteiramente distinta de todas as coisas criadas.
Vocês já se detiveram em pensar como é extraordinária esta doutrina de Paulo sobre a divindade de Cristo? Aqui temos Jesus, um homem que tinha vivido na Terra apenas durante alguns anos, antes de sofrer uma vergonhosa morte na Cruz. E aqui temos Paulo, um contemporâneo de Jesus, um íntimo associado aos Seus mais íntimos amigos, dando a Jesus os atributos mais elevados, enquanto se comporta diante dEle, sempre do mesmo modo como um homem se comporta diante de Deus. Vocês já ouviram falar de algo igual em toda a história da raça humana? Talvez pudessem ser tentados a responder: “sim”. Ou a dizer que não seria esta a primeira ou única vez na história em que um homem teria atribuído a si mesmo a divindade. Por exemplo, tem havido a deificação dos imperadores romanos e dos monarcas orientais.
Mas, será que vocês não vêem a tremenda diferença? Os que adoravam os imperadores romanos eram politeístas, isto é, acreditavam em muitos deuses. Portanto, nada havia de extraordinário em que eles cressem que mais um deus poderia ser acrescentado ao grande panteão dos deuses pagãos, com os quais a Terra era povoada. Por outro lado, Paulo era monoteísta. Ele acreditava em um só Deus, o Criador do Céu e da Terra. Paulo era um judeu e os judeus são monoteístas. Antes e depois de sua conversão a Cristo, a crença de Paulo em um só Deus era a exata razão de sua vida. De toda a sua alma, ele odiava até mesmo o pensamento de que qualquer outro pudesse ser chamado “Deus”, a não ser Jesus Cristo!
Paulo era monoteísta, criado numa raça de monoteístas; contudo, ele prestou a um dos seus contemporâneos, Jesus, as honras que somente a Deus pertenciam. Ele colocou em Cristo sua verdadeira fé religiosa e Lhe aplicou as passagens do Velho Testamento, que falam de Jeová, o Deus da aliança com Israel, o Único Deus verdadeiro, Criador de tudo que existe no universo.
Não! Em toda a história humana não existe uma coisa igual ao que Paulo atribuiu ao Homem Jesus Cristo. Não é de admirar que H. J. Holtzman, talvez o maior representante da descrença, no Século 19 e início do Século 20, tenha admitido que, no que se refere à deificação do homem Jesus, conforme ela aparece nas epístolas de Paulo, não existe paralelo algum em toda a história da raça humana religiosa.
Somente a ignorância pode explicar que alguém possa deixar de pensar sobre este fenômeno admirável. Os verdadeiros eruditos, pelo menos, ficam intrigados sobre o assunto.
Mas, até agora, não mencionei a coisa mais surpreendente de todas neste caso. O mais admirável não foi apenas que Paulo tivesse acreditado na divindade de Cristo, mas o fato de que ele nem mesmo argumentou sobre a mesma. Para ele, este assunto era definitivo. A respeito de outros itens houve debates, como por exemplo, na interpretação da Lei para se obter a salvação. Sobre isso os oponentes de Paulo apelaram a Pedro e aos apóstolos originais de Jesus contra Paulo. Mas, até mesmo aqui, o seu apelo foi em vão. Os apóstolos originais eram a favor de Paulo e contra os judaizantes. Mas, sobre a divindade de Cristo, nem mesmo os judaizantes fizeram contestação alguma. [N.T. - Aqui em Terê, um ex-pastor pentecostal abriu uma sinagoga, fantasia-se e se autodenomina “rabino”, tendo proibido que esta tradutora entre em sua sinagoga. A verdade é que ele nunca deve ter lido as epístolas de Paulo e, se as leu, obviamente não as entendeu.]
Os amigos mais íntimos de Jesus, aqueles que andaram com Ele, quando se encontrava na Terra, tinham a mesma visão de Paulo a respeito de Jesus. Este Jesus exaltado ao trono de Deus o Pai, não na geração seguinte, mas em Sua própria geração, é o mesmo da visão que Paulo mostrou em suas epistolas, ou seja, que Jesus Cristo é Deus!
Quem nega a fidelidade da descrição dos evangelhos sobre Jesus jamais poderia entender a teologia de Paulo. As pessoas devem acolher as descrições, conforme elas surgem, para que tudo fique bem claro. Os dois grandes testemunhos sobre Cristo - os evangelhos e as epístolas de Paulo - conduzem ao mesmo resultado. E, no final de tudo, encontramos o Salvador de nossas almas.

“The Testimony of Paul to Christ”
http://www.the-highway.com/deityTOC_Machen.html
Tradução e adaptação de Mary Schultze, em 05/01/2011. www.maryschultze.com